Trilhos Vítor Lobo conduziu Passeio com a Química . O Museu da Ciência da UC lança o repto que muitos têm assumido: partir à descoberta da ciência que espreita pela cidade. Sabia que o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) se encontra instalado no Laboratório Chimico, um edifício – único no mundo – mandado construir por Pombal, sobre o refeitório do Colégio de Jesus (em frente), para acolher o ensino da química experimental? E sabia que logo na entrada do museu pontifica uma marcante pia em pedra, na qual Tomé Rodrigues Sobral, químico eminente, foi o responsável pelo fabrico de muita da pólvora com a qual o exército anglo-luso combateu as tropas napoleónicas na Batalha do Buçaco? Bem, o facto é que o lente de Química (1759-1829), que os franceses puniram violentamente incendiando-lhe a casa, não foi mestre apenas na arte da guerra: promoveu igualmente a utilização de um desinfectante à base de cloro para combater um surto de peste surgido em 1809. Tudo isto e muito mais ficou a saber quem participou no Passeio com a Química, do qual Vítor Lobo foi o anfitrião e que começou pelo edifício onde o especialista estudou e foi professor. E que, portanto, conhece “como a palma da mão”, o que ficou claro no périplo que conduziu pelos espaços do Chimico. De tanto nos acostumarmos aos espaços, às ruas, aos passeios por onde todos os dias caminhamos, o olhar já não consegue ver para lá do que é óbvio e familiar. Ora é esse outro olhar, atento e perscrutador, que quer devolver-se com os Trilhos, passeios com os olhos postos nos fenómenos físicos, químicos, geológicos ou botânicos que nos rodeiam. Ontem, a proposta passou ainda pela Sé Nova (a sumptuosa capela dos jesuítas que nunca terá chegado a ser a catedral de Coimbra), Rua Larga (oxidação evidente das letras de Medicina) e Porta Férrea (sem corrosão aparente). E terminou na Porta Especiosa da Sé Velha, cuja degradação ficará a dever-se aos fenómenos físicos, mas também ao sino que por lá tocou (e vibrou) séculos a fio.