Do acampamento militar, ao mercado mouro e à feira. Até domingo, Coimbra pode regressar aos tempos medievais Os militares montavam acampamento e com eles se instalava quase toda uma cidade, vinha a nobreza e os seus criados, as damas, camponeses, artesãos e até uma comitiva de rameiras. Como na Idade Média, a companhia de teatro Viv’Arte armou junto ao Mosteiro de Santa Clara-a-Velha um acampamento militar. Dom Diego guiou-nos numa visita à liça - o campo vedado onde se fazem as justas (provas a cavalo) e os treinos de combate apeados -, à tenda que guarda os objectos de tortura, «para castigar os criminosos, que roubaram, praticaram adultério ou blafesmaram», ou à tenda de armas mouras. «Não eram tempos muito agradáveis senhora», dizia o cavaleiro, depois de mostrar as «máscaras da vergonha» feitas de ferro - que os criminosos tinham de carregar quando andavam pelas ruas -, o cinto de castidade, a estaca de empalamento ou a jaula onde alguns criminosos eram colocados em público, até morrerem de fome. Dom Diego prosseguiu a visita, com breve passagem pela tenda onde guardavam o trono e, mesmo ao lado, «a cagadeira». O tempo chuvoso não ajudou a esta “viagem medieval” organizada pela empresa Turismo de Coimbra, mas alguns casais ainda ali passearam, arrastados – quem sabe – pelo entusiasmo dos filhos e pela possibilidade de lhes ensinar um pouco de história da Idade Média. «São iniciativas como esta que trazem mais dinâmica à cidade. O acampamento e a feira medieval são também uma forma de ajudar os mais pequenos a conhecer a vida dos nossos antepassados», disse Jorge Canais, que visitava o recinto com a mulher o filho de cinco anos. A recriação do acampamento militar medieval dará a conhecer a vivência de um exército em movimento. Saindo deste espaço, a caminho da Praça da Canção, encontra-se um parque infantil medieval, com uma espécie de carrossel de madeira e jogos da época. Junto à margem do Mondego está instalado um mercado mouro, espaço de demonstração dos hábitos e da cultura tradicional, onde o visitante poderá fazer uma refeição diferente, comprar chás e especiarias, tecidos, frutas secas, louças e objectos de adorno diversos.
Feira no Largo da Sé Velha O ponto alto deste fim-de-semana de regresso à Idade Média acontece com a Feira Medieval, este ano na sua 19.a edição. Numa organização conjunta da Turismo de Coimbra, da Fundação Inatel e da Associação para o Desenvolvimento e Defesa da Alta, o Largo da Sé Velha recebe amanhã cerca de cinco centenas de participantes, entre figurantes, artesãos, grupos de teatro, saltimbancos, fantoches, ilusionistas e músicos. Todas as iniciativas têm entrada gratuita, à excepção do espectáculo de teatro equestre realizado sábado à noite, na Praça da Canção, cujas entradas custam entre um e 10 euros, dependendo se os lugares são de pé, sentados ou na varanda. «A partir de diversas lendas, em particular a de Frei Bernardo de Brito, a Companhia de Teatro Viv’Arte apresenta neste espectáculo as técnicas de recriação de combate medieval, incluindo uma batalha a pé e a cavalo, artes circenses, com várias personagens e efeitos cenográficos», revela a Turismo de Coimbra em nota de imprensa.
Programa Até domingo Acampamento militar, parque infantil medieval e mercado mouro estão instalados junto ao Convento de Santa Clara-a-Velha e na Praça da Canção, com actividades entre as 10h00 e as 23h00. Amanhã, dia da feira medieval, o certame na margem esquerda do Mondego apenas funciona entre as 18h00 e as 23h00. No Café Santa Cruz está a decorrer, no âmbito deste programa, a exposição “História para vivos”. Amanhã Pelas 9h00, no Largo da Sé Velha, tem início a 19.ª edição da Feira Medieval de Coimbra. Artesãos, grupos de teatro, fantoches, saltimbancos, malabaristas, ilusionistas, música e dança fazem parte do programa de animação que se estende até ao fim da tarde. Às 21h30, na Praça da Canção, a Companhia de Teatro Viv’Arte realiza um espectáculo de teatro equestre e pedestre. “A lenda do Brasão da Cidade de Coimbra” conta com a participação de dezenas de artistas e figurantes.