|
Almedina partilha da parte mais antiga e da história de Coimbra. Testemunhos arqueológicos e documentos escritos atestam já a existência na época romana de uma importante povoação que se estendia pela parte superior da colina da Universidade. No início da Idade Média deve ter sofrido os ataques de Alanos, Suevos e Visigodos, conhecendo porém, sob os domínios destes últimos, uma certa prosperidade, chegando a ter moeda própria. Tomada pelos Mouros (e desse tempo poderá vir o topónimo Almedina, de gosto arabizado), Coimbra foi reconquistada, em 878, pelo conde Hermenegildo Mende. Sucederam-se as vicissitudes de um longo período de lutas entre cristãos e muçulmanos até à reconquista definitiva, por Fernando Magno, no ano de 1064. Recebeu o primeiro foral de D. Afonso VI, rei de Leão e Castela. O conde D. Henrique, que assumira o governo do Condado Portucalense em 1094, concedeu-lhe novo foral em 1111. A importância do burgo cresceu sob os governos de D. Raimundo, de D. Henrique e dos primeiros monarcas portugueses, sendo muitas vezes residência da Corte e sede do Reino. Nele se realizaram algumas das mais importantes cortes medievais, como as de 1211 e 1385. Durante este período florescente instalaram-se na cidade muitas ordens religiosas. Porém, o factor decisivo para a prosperidade de Coimbra foi a instalação da Universidade. D. Manuel concedeu-lhe foral novo em 1516. Aquando das Invasões Francesas, foi tomada e saqueada pelas tropas de Messena. A freguesia de Almedina, testemunha destes e doutros passos históricos, guarda monumentos de invulgar riqueza. Para além da incontornável Universidade (os restos da Porta da Alcáçova, a Capela de S. Miguel, o Colégio de S. Pedro, a Biblioteca Joanina, a Porta Férrea, as Escadas de Minerva a Torre e Via Latina...), apenas alguns destaques: A Sé Velha é considerada o mais belo monumento de estilo românico que subsiste em Portugal. Construída em 1160, é um templo do tipo fortaleza e ameado no cimo das paredes exteriores. O seu estilo integra-se no românico coimbrão da segunda fase, embora tenha sofrido acrescentos e restauros posteriores. O traçado deve-se ao arquitecto Roberto, originário da Baixa Auvergne. Os interessantes claustros são uma edificação gótica que deve ter sido começada em 1218, data posterior à construção do templo nuclear e projectada por novos arquitectos, sem ligação à arquitectura inicial. A Casa de Sobre-Ribas é a mais importante construção civil quinhentista da cidade de Coimbra. Deve datar da segunda década do século XVI e o plano dispõe-se irregularmente por vários pisos, podendo distinguir-se duas grandes divisões: a Casa do Arco, mais antiga, e a Casa da Torre. A Casa do Navio, ou da Nau, destaca-se, por sua vez, como o mais belo edifício civil da época do primeiro Renascimento. A Casa dos Alpoins, no local da Estrela, é uma construção do século XVI, embora ostente motivos arquitectónicos de épocas posteriores. Na fachada da Rua do Correio rasga-se uma porta manuelina. Enfim, os restos das muralhas da cidade medieval, de que sobram ainda a Porta de Al-medina (também manuelina, e que era a entrada principal na urbe e originariamente um espaço entre dois cubelos avançados que viriam a ser ligados por um arco encimado por um torreão, onde hoje funciona o Museu Regional) e a Torre de Anto, que, por seu turno, resultou da reforma quinhentista das construções militares de Coimbra e tornou-se famosa por nela ter habitado o poeta António Nobre. |